segunda, 23 de outubro de 2017

Em entrevista, membro do Consea Nacional ressalta a importância da amamentação

Em entrevista, membro do Consea Nacional ressalta a importância da amamentação

por Rebrae 01/08/17

“O leite materno é fundamental para a formação do sistema imunológico da criança e previne doenças virais e bacterianas, obesidade, intolerâncias alimentares, asma e muitas outras enfermidades”. A afirmação é da médica- pediatra Sônia Maria Salviano, integrante do Movimento Mundial de Resgate de Amamentação e Melhoria da Saúde da Criança.

“Até os seis meses idade, o leite materno atende todas as necessidades nutricionais de uma criança”, diz Sônia, que é conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). “O problema é que as estratégias de marketing das indústrias produtoras de alimentos infantis lamentavelmente influenciam profissionais de saúde e as famílias para a prática do desmame precoce”.

Na entrevista abaixo, a médica chama a atenção para o fato de que no Brasil, que tem a maior rede de bancos de leite humano do mundo, a maioria dos recém-nascidos de risco internados nos hospitais ainda é privada desse alimento essencial para nutrir e tratar as infecções que afetam os bebês.

Quais os benefícios da amamentação para o ser humano?

Ainda não conhecemos todos os benefícios para o ser humano. Porém, entre as inúmeras vantagens da amamentação, destaco que o leite materno é de graça, é natural, é produzido por toda mulher, não desperdiça recursos naturais e sua produção não polui o meio ambiente. O leite materno também contribui para a formação de um sistema imunológico forte, prevenindo doenças virais e bacterianas, obesidade, intolerâncias alimentares, asma e muitas outras enfermidades. Favorece um melhor crescimento e desenvolvimento, possibilitando um coeficiente de inteligência mais elevado, em comparação com crianças que não foram amamentadas. Após os seis meses de idade, é feita a complementação, sendo ideal a amamentação até os dois anos de idade ou mais.

Quais os grupos populacionais mais vulneráveis à interrupção do aleitamento materno?

As crianças, independentemente de classe social, já nascem em risco de desmame precoce, devido as estratégias de marketing das indústrias produtoras de alimentos infantis que, lamentavelmente, influenciam profissionais de saúde e as famílias. Isso desvia o foco para o ensino e recomendação do uso de produtos que não são seguros como o leite materno e podem causar danos à saúde em curto, médio e longo prazo.

Os bancos de leite humano têm suprido as demandas de doação?

Geralmente, a mulher produz leite em excesso do terceiro ao quinto dia após o parto. Nesse período, todas são potenciais doadoras de leite, mas poucas o fazem, por desconhecimento, por falta de apoio, pela inexistência de um banco de doação onde reside ou até por dificuldade no armazenamento, transporte e processamento do leite coletado. Embora o Brasil possua a maior rede de bancos de leite humano do mundo, a maioria dos recém-nascidos de risco internados nos hospitais ainda é privada desse alimento essencial para nutrir e tratar especialmente as infecções que afetam os bebês.

Quais dificuldades as mulheres encontram para doar leite?

As mulheres geralmente não têm percepção de que seu leite pode suprir necessidades externas e que fazer isso não diminui o volume de que seu bebê necessita. Aliás, ao contrário, quanto mais se retira, mais leite é produzido. Além disso, faltam bancos de leite e postos de coleta próximos das residências das doadoras. Também não há equipes em quantidade adequada para a coleta domiciliar do leite humano e orientações às doadoras.

Que esforços podem ser feitos para o estímulo ao aleitamento materno?

É preciso dar orientação às gestantes. Muitas não sabem da importância da união entre mãe e bebê. Essa separação desestimula a amamentação, que deve ser exclusiva até os seis meses de idade. Nisso, é fundamental o apoio de profissionais capacitados, que auxiliem no ensino das técnicas de amamentação, destacando a importância do leite humano para as crianças.

Estagiário Nathan Victor sob supervisão de Francicarlos Diniz

Fonte: Ascom/Consea



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