segunda, 24 de setembro de 2018

A mulher no campo e o avanço da agricultura familiar

A mulher no campo e o avanço da agricultura familiar

por Rebrae 17/04/18

A presença das mulheres rurais e a sua importância na produção agrícola familiar é um fato. Não se pode negar que elas estão ocupando terras, plantando, colhendo, cultivando, e usufruindo da terra com seu trabalho. Presentes em casa, na educação dos filhos, na roça e na luta pela terra, as mulheres ainda batalham pelo direito de serem reconhecidas como trabalhadoras.

Em 2007 um grupo constituído por 24 mulheres organizaram seus trabalhos com o objetivo de diversificar a produção e melhorar o ganho da família, que consistia no máximo, em um salário mínimo por mês. Esta iniciativa foi romper com o monopólio da pecuária leiteira que até então se fazia presente, sendo a principal base econômica das famílias residentes no assentamento Juncal. Desta forma, foi criada a Amaju – Associação das Mulheres Produtoras do Assentamento Juncal.

O grupo contou com apoio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – ITCP/UFMS para a produção de frango caipira. O projeto foi definido com a proposta inicial da criação de 500 frangos por mulheres em três etapas: 100, 150 e 250 frangos. O valor do projeto incluindo a infraestrutura foi liberado pela linha de crédito da agricultura familiar, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com prazo de pagamento em 7 anos e um ano de carência. A parceria foi fundamental para o sucesso da proposta. O grupo contou também com o apoio da Prefeitura Municipal de Naviraí, da DFDA/MS, do Incra, entre outros.

Vários desafios foram vencidos e por conta da criação da Cooperativa dos Produtores do Assentamento Juncal – Coopaju, o grupo abastece o mercado local, entrega para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e participa do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Esses programas foram fundamentais para incentivar a expansão da produção de frango que, atualmente, está em 20 toneladas a cada ciclo de 90 dias. E graças ao Programa de Apoio à Infraestrutura nos Territórios Rurais (Proinf), a cooperativa adquiriu um caminhão refrigerado para transporte dos produtos.

O Delegado Federal de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário do Mato Grosso do Sul, Daniel Mamédio do Nascimento, afirmou que o avanço da participação da mulher é muito importante para o fortalecimento da agricultura familiar. Levando em consideração a igualdade de gênero, a importância da mulher brasileira é o avanço para o desenvolvimento da agricultura. “As mulheres são, cada dia mais, parte essencial das transformações que visam o desenvolvimento no campo. Elas estruturam as famílias rurais e acolhem como ninguém, a causa da sustentabilidade”, salientou o delegado.

Diversas políticas públicas voltadas para garantir a autonomia e a igualdade de gênero para as mulheres rurais têm sido adotadas pelo nosso país. A criação da cooperativa foi o passo fundamental para acelerar o desenvolvimento da cadeia produtiva do frango caipira como projeto pioneiro no Mato Grosso do Sul, que vem sendo referência para outros assentamentos.

Além da produção de frango caipira, a Coopaju produz doces de leite e pães. Atualmente entregam em média 3 mil pães ao dia nas escolas municipais e estaduais. O artesanato é outro núcleo em constante crescimento. Grande parte da matéria-prima é encontrada no próprio assentamento, como palha de milho, fibra de bananeira, sementes e outros.

Fonte: Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário



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