terça, 25 de setembro de 2018

Agências da ONU pedem esforços conjuntos para combater todas as formas de má nutrição

Agências da ONU pedem esforços conjuntos para combater todas as formas de má nutrição

por Rebrae 10/11/17

Reunidas em Roma, na Itália, para a 44ª sessão plenária do Comitê Mundial de Segurança Alimentar (CFS), as três agências da ONU com sede na cidade instaram governos, organismos internacionais, empresas privadas e outros atores a trabalhar juntos para melhorar o sistema alimentar global.

A Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) destacaram que tanto a fome quanto a obesidade estão aumentando no mundo. Cerca de 815 milhões de pessoas passaram fome em 2016, e as taxas de obesidade vêm crescendo em países desenvolvidos e em desenvolvimento.

A 44ª sessão plenária do CFS aconteceu no início de outubro (de 9 a 13). O comitê oferece uma plataforma inclusiva para todos os atores, como governos, sociedade civil e setor privado, trabalharem juntos e desenvolver recomendações e orientações para políticas em temas que afetam a segurança alimentar e a nutrição.

O CFS já promulgou orientações sobre direito à terra, investimentos responsáveis em agricultura e segurança alimentar e nutricional em crises. Este ano, o foco político é urbanização e exploração florestal sustentável. O Painel de Especialistas de Alto Nível lançou um novo relatório sobre nutrição e sistemas alimentares.

Em mensagem de vídeo, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou o fato de que o comitê desempenha um papel fundamental no alcance da Agenda 2030. Ele afirmou que as mudanças climáticas e eventos climáticos extremos estão afetando os mais pobres, e que a migração tem relação direta com a insegurança alimentar. “Nós temos as ferramentas e o compromisso de acabar com a fome”.

O diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, mencionou que a fome está aumentando. “Isso pode comprometer gerações futuras”, disse, lembrando a necessidade de criação de sistemas alimentares sustentáveis. “Essa é uma enorme tarefa que os governos não serão capazes de realizar sozinhos”.

“Para acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição, precisamos de coerência entre políticas e coordenação entre diferentes atores e setores — o que fazemos aqui no CFS”, afirmou a chefe do CFS Amira Gornass, do Sudão.

O diretor-executivo do PMA, David Beasley, afirmou que, para atingir o ODS 2, não podemos continuar no mesmo rumo em que estamos. “Precisamos ser mais estratégicos e as agências com sede em Roma precisam ampliar sua cooperação”, disse.

Ele afirmou ainda que o foco deve ser a assistência de longo prazo, como a construção de infraestrutura para criação de resiliência. “Ajuda humanitária e de desenvolvimento é a primeira linha de defesa contra o terrorismo. A alimentação deve ser uma arma de paz, não de guerra”.

John Agyekum Kufuor, que presidiu Gana de 2001 a 2009, período em que as taxas de fome e pobreza do país caíram, fez a palestra de abertura do evento. Ele lembrou aos presentes que a liderança dos países e a governança global são igualmente necessárias para impulsionar sistemas alimentares e lidar com as consequências das mudanças climáticas. “O que afeta um país no mundo afeta todos os outros”, disse.

Seca na Etiópia em 2015 foi a pior em 30 anos, levando o país a uma crise alimentar que deixou milhares passando fome. Foto: UNICEF Etiópia / Tanya Bindra

Fonte: ONU Brasil



Ver todas as notícias