Produção de povos e comunidades tradicionais e de agricultores familiares (PCTAFs) alimenta escolas e é tema especial do Terra Madre 2020

diversidade_no_prato.jpg

A programação do Terra Madre Brasil 2020 teve início nessa terça-feira, 17, e traz à mesa o debate sobre soberania e segurança alimentar e nutricional. Dentre as várias atividades do evento, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) realiza um debate sobre a produção de Povos e Comunidades Tradicionais no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O objetivo do encontro com convidados especiais é apresentar ao público alternativas ao modelo de compras públicas que beneficiem mutuamente PCTAFs e estudantes, fortalecendo modos de vida tradicionais. A transmissão ao vivo será na quarta-feira, 18, às 16 horas, pelo canal de Youtube do Slow Food Brasil, organizadora da iniciativa.

Para qualificar a discussão, o ISPN convidou à fala Fernando Soave, Procurador da República (MPF/AM) e coordenador da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos no Amazonas (Catrapoa); Leís Batista, diretor do Departamento de Suprimento e Logística da Secretaria de Educação de Manaus (Semed) e assessor técnico da Secretaria Estadual de Educação do Amazonas (Seduc); Cenaide Pastor Marques Lima, representante da Associação Indígena da etnia Tuyuka de São Gabriel da Cachoeira (AIETUM/SGC) e Kerexu Yxapyry, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) pela Comissão Guarani Yvyrupá. Farão a mediação do encontro o coordenador do Programa Amazônia do ISPN, Rodrigo Noleto, e Márcio Menezes, coordenador da Rede Maniva de Agroecologia (REMA) no Amazonas e Assessor Técnico da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos no Amazonas (CATRAPOA)

Quarta-feira, 18/11, às 16 horas. Transmissão: canal de Youtube da Slow Food Brasil, clique aqui. 

 Amazônia dá exemplo

Alimentação e nutrição infantil e escolar sempre foram assuntos de preocupação. A qualidade e o frescor dos alimentos podem ser garantidos com a produção dos povos e comunidades tradicionais e de agricultores familiares, com o oferecimento de alimentos locais que fazem parte dos seus costumes e por meio da dispensa de regularização sanitária. O modelo desenvolvido no estado do Amazonas com povos indígenas, com apoio do MPF, e dos órgãos de regulação sanitária estadual e federal, além da Funai e da participação efetiva de organizações sociais, representa um exemplo a ser seguido e implementado no país.

O debate realizado pelo ISPN na programação do Terra Madre traz o relato de especialistas do Amazonas e espera contar com interlocutores importantes envolvidos na alimentação escolar, tais como operadores do PNAE nos estados, Ministério Público federal e estaduais, gestores das secretarias estaduais de agricultura e educação, além de organizações comunitárias e da sociedade civil.

Acesse aqui o Guia prático: Alimentação escolar Indígena e de comunidades tradicionais

Acesse aqui o livro Amazônia À Mesa: Receitas Com Produtos Da Sociobiodiversidade Para A Alimentação Escolar

Alimentos bons, limpos e justos para todos

Sob o lema acima, o Terra Madre Brasil chega a sua terceira edição como um evento inteiramente dedicado à comida de verdade. Em respeito ao isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19, a programação será realizada pela primeira vez na versão online. As atividades previstas, que se estendem até domingo, envolvem rodas de conversa, diálogos, oficinas do gosto, espaços educativos dedicados à cultura alimentar, instalações artísticas, shows e muito mais.

No Maranhão, a Cooperativa Coopevida é um exemplo de ciclo sustentável ao comercializar a produção de seus cooperados, por meio do PNAE, para escolas de São Raimundo das Mangabeiras. São cerca de 18 variedades de produtos da agricultura familiar, como polpas de frutas, feijão, abóbora, macaxeira, alface, melancia e banana, todos produzidos sem uso de agrotóxicos e respeitando a natureza. “Isso garante alimentos agroecológicos para as crianças, além de gerar trabalho e renda, motivando a permanência no campo e o fortalecimento da agricultura familiar”, conta a agricultora Marenice de Sousa. Para o agricultor Joaquim de Sousa, ainda há impacto para a economia local: “nós passamos a estar tanto no espaço social como no econômico”.

Fonte: ISPN

Terra Madre Brasil 2020
Realização: Associação Slow Food do Brasil
Correalização: Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Governo da Bahia